Uma vida após a morte


A morte é a única certeza da vida. A vida após a morte é uma incerteza para alugam pessoas, principalmente no século em que o ser humano a desafiou. Neste século, quando uma pessoa está perto da morte, pode ter o direito a uma pós vida ainda na terra, passando por um julgamento especial.
Um homem, professor, pesquisador, orientador com seus noventa anos entra na justiça especial para ter uma pós vida ou vida alongada. Seus feitos e contribuições são memoráveis, no seu campo de trabalho; com seus anos de experiência, esperam-se mais contribuições para o mundo. Tudo está correndo bem, embora um obstáculo cause uma parada brusca.  
—O homem, quer o pós vida, deveria ser chamado  de monstro, pois ele violentou dezenas de moças, inclusive a própria filha; ele,  aproveitando-se do cargo, coagiu as pobres estudantes a sujeitarem ao desejos dele.  — diz o advogado das vítimas. — o pós vida deveria ser para pessoas que demonstrem mérito e eu vejo nada de valor nesse homem, os crimes dele já prescreveram, mas ele não merece  a oportunidade de cometer mais!
Alguns instantes depois:
— Meu colega falou bem, embora suas palavras sejam inúteis neste julgamento. Meu cliente está sendo julgado, aqui, pelos seus méritos e não pelos seus defeitos. A vida alongada, como alguns chamam o processo, só é dada aqueles que demonstrem contribuições oportunas como o prêmio Nobel. Se ele cometeu crimes ou não, não cabe este tribunal julgar. O senhor — falando agora especificamente para o outro advogado — é só um empecilho aqui.
— O senhor não está entendendo a gravidade da situação. Esse homem cometeu a grande parte desses crimes no cargo dessa profissão, essas contribuições são acompanhadas de sujeira e muitas. Essas mulheres foram coagidas mentalmente e fisicamente. Ficaram caladas durante todo esse tempo, porque ele é poderoso. Pessoas como o senhor — diz apontando para o outro advogado. —que o enaltecem foram as mesmas pessoas que lhe deram prestígio. Esse prestígio, eu espero ser insuficiente para que este tribunal não reconheça este direito, que esse professor quer receber, pois haverá alguma justiça, se o tribunal não permitir este crime perfeito que esse homem, mesmo idoso, quer cometer.
— Crime perfeito colega? Está delirando? O senhor mesmo disse que os crimes já prescreveram... Não existe nada pra ser julgado, a sim, a vida alongada do meu cliente.
— Se o tribunal perceber, esse homem cometeu crimes, não fora julgado, quando ele ter o pós vida será revitalizado, terá a mocidade de novo! Ele terá forças e experiência para cometer mais! O trabalho que estou fazendo é de prevenção!
— Ele será outra pessoa, uma pessoa renovada, não praticará isso de novo, não cometerá mais nada! Você está exagerando! Procure nas vidas alongadas de outras pessoas, elas aproveitam a nova vida de forma diferente.
— O tempo de vocês acabou — interrompe o juiz—. Já ouvi as considerações dos senhores, podem ter certeza que este tribunal irá decidir. A deliberação final se dará daqui a uma semana. Sessão encerrada.
Os dois advogados saem quase sem se verem. O professor sai protegido pelo seu respectivo advogado. Mais seguranças fora do tribunal o acompanham junto com gritos de criminoso e safado.  Quando ele chega ao automóvel tumulto se intensifica, a polícia no local garante a entrada, mas não evita que comida estragada atinja o veículo em arrancada. A polícia o acompanha até sua casa, onde é recebido por uma pequena comitiva de repórteres.
            Eles querendo exclusivas, as quais o professor não quis negar. Um pergunta se ele acredita que sentença será favorável. Ele diz que sim. Outra repórter pergunta como ele se sente sendo um criminoso confesso praticamente absolvido. Ele diz que não é confesso e não é essa questão no tribunal. Nesse instante essa repórter dispara várias vezes uma arma nele. Os tiros atingem na cabeça, no peito e ele morre. O processo de pós vida precisa da pessoa que ainda tenha fôlego, um defeito do processo. O ser humano não ressuscita de fato nenhum outro.

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