Tempo natalino


O Natal é motivo de comover as pessoas. Em rua, todos antecipadamente vivem a celebração de Natal. Enfeites em todas as casas são combinados para a celebração da bem-aventurança, a fraternidade e alegria do momento natalino. O ambiente natalino é invadido por uma gritaria no meio da rua. Um mendigo desorientado passa pela rua dizendo:
— Mãe, cadê meu presente? Cadê meu presente, cadê você mãe?
Um desconhecido apareceu do nada causa alguma comoção instantânea. Um mendigo diferente dos outros que já haviam aparecido, não passava pelas portas pedindo, apenas gritava pela rua chamando a mãe par quem quisesse ouvir.  Alguém da vizinhança fica sensibilizado e chama o mendigo sem mãe quando ele passa. Quando está perto da porta:
— O senhor está procurando pela sua mãe? Ela vive por aqui perto?
— Eu não sei, não. Ela me deixou há muito tempo, dizendo que ia procurar meu presente e nunca mais voltou.
— Há quanto tempo foi isso?
— Não sei direito... Talvez há uns vinte anos.
Um pouco de silêncio para recuperar o fôlego e refrescar as ideias. Ele procura a mãe há tanto tempo. Mas só apareceu na rua agora; a pessoa ainda sensibilizada continua:
— Você nunca desistiu da sua mãe?
— Eu preciso muito da minha mãe, não quero continuar vivendo sem ela.
— Ela pode estar em qualquer lugar, você não achando é fácil.
— Ela está aqui por perto, eu sei disso! Ela me contou onde estaria isso já há muito tempo.
— Você pode esperar um momentinho? — nisso entra em casa.
Quando volta, trazendo uma quentinha entrega pra ele dizendo que será preciso em sua jornada. Uma linda e comovente jornada de fé e esperança. Ao voltar pra casa, pensa com lágrimas se o conforto do lar não o deixou acomodado, não vai à busca dos próprios sonhos. Se no Natal as pessoas deveriam celebrar as conquistas e ajudar os outros a conquistar, ao invés, de ser uma simples confraternização.  Um pouco mais adiante o mendigo resmunga:
— Eu queria dinheiro.
No fim da rua, ele acha o que procura, ainda chamando pela mãe num alpendre de uma casa abandonada, aparecendo uma mulher de meia-idade. Ela desconfiada e fala:
— Tá doido? A “mãe” não aparece no meio da rua, quando você chama. Você sabe que tem que vir aqui! Então entre logo.
— Olha não tenho dinheiro, tenho comida, você quer? Você está com fome? Posso pagar com comida?
— Não é exatamente o que eu gosto... Você só vai levar uma pedrinha e só dinheiro de verdade pode diminuir sua dívida, entendeu?
O mendigo pega a droga e sai da casa, mas o vicio é mais forte, consumindo na calçada quente. O Natal não comoveu aquele não precisa dele. 

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