Apareceu de repente


Num conjunto de apartamentos todos tem suas vidas, preservadas pelo pouco contato. O contato e a conversa com uma das moradoras aumentam quando se ouve um choro constante, vindo do apartamento dela.  Lucélia passeia com um bebe recém nascido, ele chora. Os mais velhos dizem que o choro é de fome, Lucélia diz que não é nada. Ela é mãe de primeira viagem, acabava de comprar o leite e fraldas pra criança.
— Eu não vou assumir criança alguma, ela não é minha. — diz o antigo companheiro de Lucélia.
— Ele é fruto do nosso amor...
— Nosso amor acabou há muito tempo.
Fernando não quer assumir o bebe, porque segundo ele os dois estariam separados antes dela engravidar, portanto o bebe não seria dele.  Alguns moradores sabem dos problemas dela, mas para o azar o dela ninguém sabia da gravidez até ouvir o choro da criança, assim ninguém podia corroborar com o seu lado da história.
— Vocês não conversam com ninguém. Aqui é cada um dentro de sua casa e dane-se o mundo. — não deixava de ser verdade, então ninguém podia insinuar algo.
Ninguém precisou insinuar mesmo, pois a polícia aparece na porta do apartamento dela, querendo saber do bebe. Era um bebe roubado em uma maternidade. A explicação de Lucélia para o roubo era que precisava de dinheiro, então decidiu ficar com criança e: fingir que era resultado de um relacionamento ou pedir esmola em semáforos. De qualquer um desses modos ela esperava dinheiro com a ajuda dos outros. Porém não conseguiu apoio, desde o começo.

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