Sentimentos modernos


Josevaldo conhecera Jamile em um forró.  Namoravam há pouco tempo, ele achava que tinha muita sorte, pois ela é linda e vários homens olham para ela.

— Não podemos andar na rua, todos olham..., mas se bem que sou o maior sortudo daquele forró.

De fato, quase todos os homens do forró, os solteiros, queriam um pedaço da Jamile ; alguém de coragem tirava ela pra dançar e os ouros a viam rebolar, o corajoso só tinha força pra isso, porém Josevaldo fisgou a sereia. Toda vez que eles dois vão pra o forró, dançam muito e são vistos por muitos para a observação de Josevaldo. 

Um dia Jamile ficou doente e não poderá sair, entretanto Josevaldo questiona;

— Você está doente mesmo? Não é só um cansaço? —pergunta ele pelo telefone.

— Eu estou doente, tô com uma virose ou intoxicação, não sei se tenho forças pra sair de casa.

— Levanta daí que sua fraqueza passa logo. Deixa de frescura e vamos sair hoje.

— Seu desgraçado, eu estou doente, não inventei coisa alguma. Saia sozinho!

— Eu não vou, espero você melhorar.

Dias depois, quando Jamile melhorou, Josevaldo disse que ia descontar a falta dela.

— Você faz muita questão que eu sempre saia com você, por quê?

— Porque eu gosto de sair com você. Sinto-me sufocado sem minha boneca.

— Sufocado? Eu fiquei doente... Que sufoco você passou?

—Só estou dizendo que fiquei mal.

De novo no mesmo forró eles dançam, como vários outros casais. A irritação de Josevaldo no local o faz parar de dançar e querer ir embora. Jamile quer ficar e seu namorado decide ficar mais um pouco.

— Por que você não quer mais dançar? —pergunta Jamile.

— Porque não tem espaço para nós. Hoje são só casais. Cada um tem seu par.

— Você é difícil de entender! Agora a pouco estávamos dançando numa boa; você quase brigou comigo, há alguns dias por causa dessas festas. Fica emburrado quando quer também? Você é muito chato.

— Esquece isso, você quer dançar, vamos.

E lá se vão eles, mas a dança não é mais a mesma e a chateação fica, até decidirem ir embora. O cavalheiro Josevaldo vai levar Jamile até a casa dela, mas decide parar em outro lugar. Entram em restaurante na qual Jamile já trabalhou então os antigos colegas de trabalho fazem fila para cumprimentá-la para o desgosto do namorado.

— Se eu soubesse que isso iria acontecer não tinha parado aqui.

— Que conversa é essa?

— Eu só estou dizendo que me esqueci que você já tinha trabalhado aqui...

— Eu só estou cumprimentando... tá com ciúmes?

Josevaldo fica calado. Instantes depois ele fala ao celular com também antigos colegas de trabalho.

— Que foi?—pergunta Jamile.

— Não aguento ver você se aparecer tanto. É um porre!

— Que é isso? Tá doido? Você fica feliz quando dançamos na frente de todos e agora fica carrancudo só com uma conversa mole!

— Fico feliz quando apareço junto com você! Você é o meu troféu! Eu consegui o objetivo de te conquistar naquele forró, eu sou um vencedor, você...

— Eu sou o quê? Nada de importante, não? — nisso Jamile percebe os verdadeiros sentimentos de Josevaldo.

Ela poderia ter sido imediatamente do bar, mas o sentimento de traição faz que ela espanque, um pouco, ele. Vai embora, deixando o ex-namorado.  Josevaldo ainda se sente orgulhoso com o feito, uma nostalgia dessa época.

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