Orgulho e queda


Uma família chega cansada em casa. O pai, mãe e filho adolescente chegam de uma festa de confraternização do colégio deste, qual ganhou um prêmio por ser o melhor aluno da classe. Com destaque em matemática. O orgulho é muito bem recebido, pois quando era criança, tivera dificuldade naquela matéria.

O mundo gira e o filho não se cansa de receber elogios e parabéns dos seus pais no jantar após o evento escolar. Num momento, o pai fala:

— eu me lembro de você na 3ª série, tentado dividir e multiplicar, agora acha raízes de qualquer polinômio. Tenho orgulho de você.

— Sabe... Precisava de mais aplausos, vou ter mais na minha vida, sou uma estrela em ascensão. — diz o filho. 

— O sucesso está subindo a sua cabeça, tome cuidado meu filho com os seus pensamentos. —diz a mãe antes de se retirar pra cozinha.

— Se lembre do tempo da 3ª série, uma época ruim pra você e seus estudos, a vida tem seus altos e baixos.

— Na minha vida só terá altos e altos, não precisei da ajuda de vocês pra passar de ano na 3ª série, talvez eu já tivesse nascido pronto para o mundo, só precisara de um pouquinho de confiança em mim mesmo.

— Não diga merda! — diz o pai com raiva. —Você precisou de mim, seu ingrato! Era pra você ter sido reprovado, mas não foi porque eu me prostituí. — desabafa.

— Que história é essa? Mamãe sabe disso?

— Eu conto tudo pra sua mãe, nós não temos segredos.

— Me conte também, esse segredo.

— Eu fiz sexo com a sua professora em troca de uma boa nota no seu exame, ela sabia que você aprenderia a dividir e multiplicar, mas levaria um tempo que ela não queria gastar, trepei com ela, você tivera a nota que precisou.

—Querido, tome cuidado com o que vai dizer.— alerta a esposa, ao voltar para mesa.

— Puxa pai, o senhor deu um jeito pra mim e me assustou muito, pensei que o senhor tivera rodado bolsinha na esquina, falou de um jeito como se não tivesse gostado também.

— Filho, eu sou homossexual. Não gostara do que fiz, durmo no mesmo quarto, mas não fazemos nada, procuramos por sexo fora de casa e não sou seu pai biológico. — desrespeitando a aviso da esposa.

— Isso é mentira! —dizendo, ele começa a gemer. — História mal contada é essa!

— Por que você disse isso?— E voltando a atenção ao filho. —Filho, você é meu filho com certeza, não ligue para o que ele disse, ele está cansado.

— Eu estou cansado de brincar de família. —disse o pai adotivo.

— Você não está mais ajudando. — disse a mulher em direção ao outro. —Você iria saber da sua história daqui a alguns anos,— ao filho—mas agora você vai ter que entender. Por isso se acalme.

O filho já estava um pouco mais calmo, porque como não entendia nada, era difícil acreditar.

— O seu pai biológico me largou quando soube da minha gravidez.  Ele — apontando para o outro— é um amigo meu, eu tive um caso de uma noite e fiquei gravidade você, não podia ser mãe solteira naquela época e ele não podia assumir a homossexualidade, então inventamos um romance e casamos por conveniência.

— Isso mesmo! Tudo é conveniente pra todos nesta casa, por isso mais humildade, pois esta conveniência é o que mantêm esta família unida bem alimentada, nem eu e sua mãe teríamos nossos empregos, sem esse jogo de aparências, seríamos párias inclusive você, se eu não tivesse comido sua professora, você não criaria uma confiança idiota.

Mal conhecendo a própria historia, o filho geme cabisbaixo. Dias depois, o filho diz a pessoa que o criou: “não podia ter se divorciado muitos anos atrás, ao invés de explodir do nada?”. O orgulho transformou-se em raiva.

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