O futuro é incerto

  

                Maria tem pouco mais de 17 anos. A mesma idade que seu pai tinha quando decidiu fazer vestibular.  O exemplo tem que ser seguido. Numa conversa sobre a mesma com a esposa, ele diz:

                — Tenho medo de que Maria não leve nada mais a sério. Ela tá se achando adulta. Acho que ela está prestes a fazer uma besteira.

                — Este é um momento de decisão, ela fica dando atenção pra coisas fúteis, como festinhas, namoradinho...

                — Se ela fizesse como eu, teria o futuro garantido. — afirma o pai.

                — Ela não entende a seriedade do momento, eu na idade dela não fazia as mesmas coisas que ela. — acrescenta a esposa.

                No dia seguinte, o pai de Maria vai querer conversar com a mesma. Ele pergunta:

                — Maria, o que você quer da vida?

                — Pai, não entendi essa pergunta. Como assim? Eu não sei. Eu vou ver o que me espera.

                — Você acha que verá o quê? Ninguém vai bater na sua porta dando um presente para sua vida, você tem buscar. Não pense que é sabida.

— Buscar o que pai? Tá vendo, o senhor não sabe também.

— Busque o que é certo. Você var ser fisioterapeuta.

— Por quê? Nunca pensei nisso pra mim.

— Vai por mim, eu sei o que estou dizendo.

O pai não diz por quê; há uma clínica de fisioterapia na mesma rua da casa deles. O pai de Maria a instrui com insistência. Até que em um instante:

— Maria, você não tem casa além dessa, que é minha. Você não tem condições pra ter uma casa, só tendo dinheiro você tem alguma coisa. Arrumando um emprego nesta clínica, você vai ter um dinheirinho.

— Com o salário de um emprego posso alugar um apartamento.

— Você vai para faculdade pra aprender a ser alguém e vai ser fisioterapeuta pra ter dinheiro, você não tem nada e vai continuar por um tempo. Você vai fazer faculdade pra ter alguma coisa importante! Não investi dinheiro em você, pra trabalhar em caixa de supermercado. Eu quero ver a sua vida.

— Eu não tenho querer não? Fico sempre devendo com toda essa autoridade.

— Você não escutou? Eu sou seu pai, eu sei tudo que é bom pra você e o que é ruim, por isso eu estou fazendo isso, estou julgando as possibilidades da sua vida por você. Você ainda não é capaz disso.    

Maria contra vontade estuda, embora consiga passar não está feliz, mas seu pai diz:

— Está vendo! Eu sei sobre sua capacidade! Agora tudo vai dar certo. — diz contente.

Passou um ano com o pai dela sempre dizendo como a filha era estudiosa e esforçada; além disso, teria o futuro garantido, pois o local de trabalho é próximo a casa. Era a forma de lembrá-la, por que ele desconfiava, além de ver insatisfação no rosto da filha, de alguma fuga do destino.

— Está estudando? — dirigindo-se à Maria. — Ainda tenho esse trabalho de controlar você, para que não saia dos trilhos.

O plano destinado pelo pai de Maria não foi o mesmo plano do destino. A clínica faliu e fechou. Há outras clínicas mais distantes, porém com os mesmos diretores cortaram pessoal delas, ou seja, não estão contratando. A lembrança do futuro brilhante é amarga e não se comenta.
  

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